Artigo


 Uma história de amores

(*) Por Marcia Adriana

Márcia Adriana Saia Rebordões

O coração é o símbolo do sentimento mais sublime e especial que o homem pode experimentar: o amor. Onde há expressão de amor, há sempre uma figura de coração ilustrando esse sentimento. Basta observarmos como as pessoas se expressam quando querem dizer que sentem amor por alguém, seja esposo, esposa, mãe, filho, e até mesmo a Deus. Se na expressão há espaço para uma figura, invariavelmente essa figura será a de um coração.
E o que dizer quando um coração, agora falando do órgão vital mesmo, aquele que bombeia sangue para todo o corpo, é o vínculo de uma história de amor? Se a figura coração representa tão bem esse sentimento sublime, o órgão, “ele mesmo” “em pele”, deve ter a força e o poder de superar toda tentativa de provar que se ama, não é mesmo?
Pois bem, recentemente testemunhei uma verdadeira história de amor, e esta ilustrada pelo coração “órgão”, aquele formado por ventrículos e átrios, mais a aorta, a pulmonar, e as demais estruturas que o formam.
Esta história fala do amor de Deus para com os homens, do homem para com o seu semelhante e ainda do amor entre homem e mulher, e tantos outros amores percebido e sentidos. Tudo isso bem misturado em uma mesma cena.
Foi isso que presenciei dentro de uma das salas do centro cirúrgico de um grande hospital paulista, onde costumam realizar diariamente, em média, de quatro a seis cirurgias cardíacas em corações bastante especiais: os corações que nascem com algum tipo de malformação, chamada de cardiopatia congênita. Nessa sala estava o “dono” do coração, um menino de 6 anos, que devido ao amor de Deus por ele vivera até ali com um coração com pelo menos quatro defeitos diferentes. O amor de Deus foi o primeiro tipo de amor que enxerguei naquela cena: aquele amor eterno, perfeito e incomparável, amor criador, sustentador e misericordioso. Quis o amor de Deus que aquele coração nascesse com aquelas imperfeições, para permitir que outras formas de amor se manifestassem na vida daquela criança.
Assim que adentrei na sala, vi dois médicos preparando, fazendo assepsia no tórax   do garoto, onde seria feita a incisão (o corte),  e mais alguns assistentes na sala: o anestesista, já cuidando minuciosamente dos sinais vitais do menino, que já estava inconsciente e  imóvel, além da instrumentadora, que é aquela que entrega todas as “ferramentas” para o médico que irá “colocar a mão na massa”. Ali estavam também a circulante de sala (que cuida de trazer todas essas “ferramentas” na hora certa) e o perfusionista, médico que cuida de um outro tipo de coração, uma espécie de coração-pulmão mecânico, uma máquina chamada de “extra-corpórea”, que substituirá o coração do menino nos momentos em que ele deverá permanecer parado para permitir a abordagem cirúrgica.  Toda essa gente trabalhando em conjunto, e em equipe, por um mesmo fim, permitiu ali a manifestação de uma espécie de amor sutil, que muitas vezes não percebemos, mas ele não deixa de estar lá: é o amor pelo próximo, o amor por participar de uma “orquestra” que tem um único fim: salvar vidas para que elas continuem sua sinfonia . Talvez alguns deles nem saibam disso, mas estão ali diariamente, em primeiro lugar por amor ao próximo, por participarem de um ato de amor que é o ato de salvar vidas, ou pelo menos, o de dar mais dignidade para a vida de muitas crianças, e naquele momento, em especial, para aquele garotinho.  Alguém poderia dizer que não, mas o que enxerguei ali foi amor… amor vestido de azul.
O “maestro” dessa sinfonia toda finalmente toma o seu lugar à direita da mesa, e começa a cirurgia. Ele passará não menos que 5 horas em pé, na mesma posição, manipulando bisturis e pinças, e ao mesmo tempo atento a todos os outros equipamentos, monitores e pessoas que o auxiliam. Ele é quem comanda e organiza isso tudo, sabe da ação que cada um deve tomar, na hora certa, e todos também sabem o que devem fazer, a um mínimo comando, até mesmo um simples olhar. Ele rege a sua orquestra … E assim aquela sinfonia  avança… Eu tomo coragem de me aproximar para ver o corte e nesse instante nauseio com o cheiro forte que sobe do bisturi elétrico. Sento um pouco para não estragar a sinfonia, que está indo tão bem, e só me levanto depois de ouvir parar o som da serra elétrica , que serrou a caixa que envolve e protege tão bem o coração do menino.  Aos poucos os contornos do coração começam a aparecer melhor, pois para chegar até ele é necessário que tudo em volta seja desbravado, pois são tecidos e órgãos aderidos (tudo colado), já que aquele coração já tinha sido tocado anteriormente. Depois de muito trabalho, separando e cortando as aderências,  finalmente lá está ele, o coração, batendo forte e ritmado, impondo uma  força e  uma altivez tão grandes que até sinto medo  de chegar mais perto. É um coração firme e decidido, e não obstante as dificuldades que a cardiopatia lhe impõe, bate com força, com ritmo e certeza… Penso que só mesmo um órgão com uma presença e uma força tão grande poderia  simbolizar esse sentimento tão sublime . Quem vê um coração ao vivo e em cores, trabalhando num ritmo quase melódico, nunca mais irá duvidar que ele é mesmo o melhor símbolo para um sentimento tão nobre como o amor!
Finalmente chega o momento de colocar aquele “batedor inveterado” para descansar. Ligam alguns canos nele, o sangue passa a ser bombeado do corpo do menino por aquela máquina-coração-pulmão e injetam uma solução gelada, para colocar o inveterado batedor para dormir, ao mesmo tempo em que, geladinho, ele ficará mais protegido durante a cirurgia.

Dr. Glaucio e Dra. Beatriz Furlanetto

Nesse momento entra na sala aquela que me faria visualizar mais um tipo de amor naquela cena toda: a doutora, também cirurgiã cardiovascular e esposa do doutor-maestro. Ela entra, cumprimenta a todos e nem me dou conta quando ela já está do outro lado da mesa, em frente ao doutor-maestro, já com os dedos hábeis manuseando pinças e bisturis. A doutora e o doutor-maestro dividem tudo: o espaço apertado dentro daquele peito, as pinças, as linhas, trocam ideias, fazem considerações e juntos decidem a melhor abordagem para que aquele batedor volte a bater ainda melhor, e dê melhores condições de vida para o menino. Ah!! O menino…  ele permanece ali, imóvel, sedado e anestesiado,  e imagino que naquele instante ele deve estar sonhando um sonho de menino, daqueles com direito à bola, bicicleta, pipa, picolé e escorregador. Vendo o menino imóvel e o coração também imóvel, passam-me alguns pensamentos… ufa, já passou, foi só um pensamento…
Como não tenho preparo físico tão bom quanto a equipe para ficar tanto tempo em pé, minha coluna começa a fisgar e eu sento logo atrás do cenário principal. De lá eu tenho a visão de outro tipo de amor, ao ver doutor e doutora juntos, na mesma cena: o amor que une homem e mulher, amor eterno enquanto dure, como diria o poeta.  Mas o amor que existe ali me parece muito especial.  Eu fico pensando que tipo de amor de marido e esposa é aquele, que aceita há 25 anos dividir o mesmo espaço, o mesmo trabalho, as mesmas ideias e os mesmos sonhos. Com certeza, nesse tempo todo existiram desavenças e discussões, mas o amor que existe naquela relação superou tudo isso e mais um pouco. É uma espécie de amor raro nos dias atuais, pois não encontramos frequentemente  um casal afinado na vida em comum e na profissão, e isso tudo ao mesmo tempo, todos os dias, o dia todo!  Fico pensando que talvez seja a figura do coração, que todos os dias está literalmente entre eles, é que reforça esse suporte. Mas olhando mais minuciosamente, percebo que, na verdade, o que une esse casal são todos esses tipos de amor que vi naquela sala de cirurgia: o amor de Deus, que os uniu e os mantém unidos, o amor ao próximo, que ambos têm na mesma medida por cada paciente que literalmente abre seu peito para eles, e por cada integrante da equipe-orquestra com quem trabalham diariamente, e por fim, o amor  mútuo, cercado por respeito e admiração, com uma boa dose de tolerância (por que ninguém é de ferro, né?).
E o coração do menino? Terminada a cirurgia, voltou a bater, e seguirá batendo por muito e muitos anos, agora “consertado” e recuperado para permitir que todos os sonhos de menino um dia se tornem realidade.
Ao Dr. Glaucio Furlanetto e à Dra. Beatriz Furlanetto agradeço por me permitirem testemunhar um momento tão lindo, e por me fazerem entender que o que me levou até ali também foi uma outra espécie de amor, tão sublime como todos os outros relatados aqui: o amor de Mãe .
E a Deus, aquele que me amou primeiro, um agradecimento todo especial, pois Ele, além de me amar, me conhece, e trata das minhas feridas com muito bom humor. Uma das provas disso eu vi no momento em que me retirava da sala de cirurgia e li no prontuário o nome do garotinho do coraçãozinho consertado: Thiago de Jesus!

(*) Marcia Adriana Saia Rebordões – presidente da AACC Pequenos Corações, mãe da Victoria  (10 anos)  e do Thiago (in memoriam).

Gratidão: A Palavra chave para fazer dos nossos dias, dias especiais


Durcila Cordeiro

 

Nossa! Desde o Natal não posto nada novo aqui, não é mesmo? Desculpem-me. Fui levada pelas circunstâncias do tempo, festas e crianças em férias e aí, já viu? Trabalho dobrado!

Mas queria colocar como primeiro “post” de 2010 algo assim como agradecimento a Deus pelo ano que passou e convite à todos a viver um ano, onde todos os dias poderão ser especiais.

Agradeço a Deus primeiro por minha família, pela “família do Coração”, a conquista e a alegria que passei a ter desde que coloquei o Blog Amigos do Coração em funcionamento.  Servindo como instrumento de informação, prestação de serviço e muito, muito, amor distribuído aqui por vocês mães, pais e amigos de crianças cardiopatas que nos visitam.  Hoje já  passamos  de 14 mil acessos! Aleluia! Amém!

Além disso, a alegria de saber  que o sonho de ter uma organização que representasse a todos nós se tornou realidade com  a formalização da ONG Pequenos Corações, que tem à frente uma mulher determinada e  bastante guerreira: Márcia Adriana Saia Rebordoes, a mãe do Thiago.

 É queridos… 2009 foi um ano que o Senhor agiu! E 2010 também o será! Quero dizer a vocês que mesmo com todos os problemas que poderemos enfrentar este ano, ainda assim é tempo de louvar a Deus e saber do seu agir. Ainda assim, cada dia deverá ser especial.

Outro dia estava começando a ler um livro do Marx Lucado (Todo dia é especial) e ele descreve no primeiro capítulo uma situação bem humana… Como conseguimos estragar os nossos dias apenas com um “detalhezinho” do dia que deu errado ou mesmo não aconteceu como gostaríamos. Parece que somos  especialistas e  superestimar o que não dá certo e muitas vezes esquecemos de olhar com gratidão todo o resto.   

Amados, como o Marx Lucado descreve em seu livro: “O trânsito ficará congestionado.Aeroportos fecharão.Amigos nos esquecerão.Casais discutirão.E as filas. Caramba, as filas. Prazos, filas enormes, cabelos caindo, companhias aéreas que perdem malas, cantadas ridículas, linhas de expressão no rosto, fila do seguro-desemprego, e os benditos ultimatos”. Tudo isso sempre vai existir. Nós sabemos que dia-a-dia não é conto de fadas.  Vai haver sempre um “dia  daqueles” recheado de problemas!

“Aqueles dias em que toda esperança vai pelos ares por causa de uma crise? Você nunca sai do leito do hospital ou da cadeira de rodas. Você acorda e se dá conta de que está na mesma cela ou na mesma guerra. O enterro daquela pessoa querida mal acabou, a carta de demissão ainda está dobrada no seu bolso, o outro lado da cama continua vazio… quem consegue ter um dia bom em dias como esses?” Descreve Lucado.

Ele diz ainda que a maioria das pessoas não consegue sair de um dia como esse. E ficam sem esperança! Mas será que não poderíamos tentar?

E eu concordo com ele, que dias como esses trazem uma boa oportunidade. Uma chance. Um teste. Uma virada de mesa. Então? Será que todo dia não merece uma chance e, assim, passar a ser um bom dia?

E aí é que vem o que eu disse acima a respeito do ano de 2009 e que vale para cada dia: “Este é o dia em que o SENHOR agiu; alegremo-nos e exultemos neste dia” (Salmo 118:24).

O autor diz que “a primeira palavra nos deixa curiosos. “Este é o dia em que o SENHOR agiu”? Talvez os feriados sejam os dias em que o Senhor agiu. Domingos de Páscoa… sábados de liquidações… dias de férias… os primeiros dias das temporadas de caça — esses são os dias em que o Senhor agiu. Mas “este é o dia?

Este é o dia” inclui todos os dias. Dias de divórcio, dias de provas finais, dias de cirurgias, dias de pagar os impostos, dias de mandar seu filho mais velho para a universidade em outra cidade”.

Gente : É só deixar essas palavras penetrarem todo o seu ser! Poderemos fazer daquele dia difícil, um dia para louvar e agradecer ao Senhor! Muitos de nós poderia dizer: “ Nós exultaremos ao Senhor ‘após’ este dia, se conseguirmos chegar ao fim dele, não? Mas Deus nos convida a exultá-lo ‘ NESTE DIA’!

Muitos personagens da Bíblia fizeram isso: Paulo na prisão; Davi escreveu salmos no deserto; Jonas orou na barriga do peixe; Sadraque, Mesaque e Abede-Nego permaneceram firmes na fornalha ardente; João viu o paraíso no seu exílio; e Jesus orou em seu martírio…

Mais adiante no livro, Lucado diz :

“Será que nós poderíamos exultar bem durante este dia? Imagine a diferença se nós pudéssemos. Suponha que, “atolado até o pescoço no pior dos dias”,1 você resolve dar uma chance a este dia. Você escolhe não beber, nem trabalhar, nem se preocupar, mas dar a ele uma oportunidade justa. Você confia mais. Se estressa menos. Aumenta sua gratidão. Silencia os resmungos. E o que acontece? Logo o dia acaba, e o mais surpreendente, de modo tranqüilo.

Tão tranqüilo, na verdade, que você resolve dar a mesma chance ao dia seguinte. Ele chega com seus tropeços, torpedos de pombos, manchas na camisa, mas, em geral, caramba, dar uma chance ao dia funciona! Você faz a mesma coisa no dia seguinte. E no seguinte. E os dias viram uma semana. As semanas, meses. Os meses, anos de bons dias.

E disso que são feitas as vidas felizes. Um bom dia de cada vez. Uma hora é muito pouco, um ano é demais. Os dias são porções perfeitas de vida, uma espécie de módulos de organização projetados por Deus.

Oitenta e quatro mil batidas do coração. Mil quatrocentos e quarenta minutos. Uma rotação da Terra. Uma volta completa no relógio de sol.

Vinte e quatro viradas da ampulheta. Um nascer e um pôr-do-sol. Um dia novinho em folha.

A dádiva de vinte e quatro horas não vividas, inexploradas. E, se você puder acumular um bom dia após o outro, conseguirá juntar os pedaços de uma boa vida”.

Gente, o dia acaba e o ontem passa a não existir. Desaparece enquanto dormimos. Não poderemos mudá-lo ou melhorá-lo. Então, não há uma segunda chance. O amanhã ainda não existe. A não ser que você acelere a órbita da Terra ou convença o Sol a nascer duas vezes antes de se pôr, você não pode viver o amanhã hoje.

Tudo que podemos em nosso calendário é viver sempre o hoje. O DIA QUE O SENHOR AGIU!

Então, neste primeiro “post” do ano, eu convido você a “VIVER ESTE DIA”!Você tem que estar presente nele para ganhar. Não vamos sobrecarregar o dia  de hoje com os problemas de amanhã e nem os arrependimentos de ontem.

Num passeio ciclístico, por exemplo, se os freios prendem uma das rodas vai torná-lo difícil. Pesado. E talvez os nossos dias acabam sem  graça ou mesmo insuportáveis porque fazemos o mesmo colocando “ ingredientes” nada gostosos, às vezes amargos…Ou mesmo “ pesos” que como os freios da bicicleta, nos cansam. Sabotamos o nosso dia com medo, ansiedade, problemas, culpa…

Amados… Neste ano de 2010 decidi: Vou ser mais grata! Descobri que não estava sendo tanto assim. Muitas vezes me deixei abater pelas circunstâncias. Todos nós nos deixamos. É claro que não estou livre disso e nem você está! Mas quero mesmo tentar ter um DIA APÓS O OUTRO, sabendo e agradecendo a Deus por seu agir.

Convido você a fazer o mesmo: “Como podemos? O que podemos fazer? Aqui vai minha proposta: consultar Jesus. Ele tem algo a dizer sobre nossos dias. O Senhor  não usa a palavra dia muitas vezes nas Escrituras. Mas as poucas vezes em que a usa servem para dar a fórmula para elevar cada um dos nossos dias à posição de DIA  ESPECIAL!

Preencha seu dia com a graça dele.

Jesus lhe respondeu: “Eu lhe garanto:

Hoje você estará comigo no paraíso.”

(Lucas 23:43)

Confie seu dia aos cuidados dele.

“Dá-nos cada dia o nosso pão cotidiano.”

(Lucas 11:3)

Aceite as orientações dele.

“Se alguém quiser acompanhar-me,

negue-se a si mesmo, tome diariamente

a sua cruz e siga-me.”

(Lucas 9:23)