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Médica analisa quadro da cardiopatia congênita em Londrina e no País

 Estamos há alguns dias do Dia de Conscientização da Cardiopatia Congênita  (12 de junho) e  então procuramos alguns médicos especialistas para nos responder como eles vêem a situação em suas cidades/estados.

Lembramos que a nossa intenção é apenas saber da realidade enfrentada por estes profissionais relacionada com o dia-a-dia com seus pacientes e não debater opiniões, que aqui poderão coincidir ou divergir.

A nossa primeira entrevistada é a médica cardiopediatra Márcia Thomson, de Londrina – PR.  

Márcia Thomson é graduada pela Universidade de Londrina (1996); pós-graduada em pediatria no Ino Instituto da Criança da Faculdade de Medicina da USP-SP; em Cardiologia Pediátrica e Ecocardiografia fetal e infantil no InCor-SP.

Uma talentosa médica, que exerce sua profissão com amor e dedicação para que a vida dessas crianças de coração especial seja a melhor possível. Ela atua hoje no seu consultório particular; Hospital universitário (Universidade Estadual de Londrina);Hospital Evangélico de Londrina e Clínica Gemina.

Márcia Thomson: amor e dedicação aos “pequenos corações”

Amigos do Coração – Como você vê a atual situação dos cardiopatas congênitos em nosso país e em especial em Londrina?

 

Márcia Thomson – A situação atual está muito longe da ideal…
Temos poucos cardiopediatras distribuídos pelo Brasil, o que dificulta atender a demanda.
Aqui em Londrina, são aproximadamente 550 a 600 mil habitantes e somos apenas duas cardiopediatras e um cirurgião cardíaco infantil…e somos referência para uma grande região o que aumenta ainda mais a demanda.

Existem filas para atendimento ao Sistema Único de Saúde (SUS). Não sei te dizer o quanto é longa mas sei que existe. E também não sei te precisar quanto tempo demora para se conseguir uma consulta para os moradores de Londrina. No entanto, creio que não demore mais que dois meses.  Mas para região é mais complicado!

 

AC – E…

 

MT – O que mais desanima é que a remuneração da parte clínica pelo SUS é absurda!!!! Para você ter uma idéia, estou em Londrina há quase sete anos e o que ganho pelo SUS nem entra na minha contabilidade! Atendo SUS no Hospital Evangélico e no Hospital Universitário. No hospital ligado à universidade, a remuneração é melhor. Lá ganho por horas trabalhadas e não por pacientes atendidos. No entanto, no hospital Evangélico é cômico! Tenho um extrato guardado há uns quatro anos que ganhei R$ 0,50 (isto mesmo cinqüenta centavos!) por uma avaliação de um bebê internado…Saí da minha casa, fui ao hospital e ganhei R$0,50! Lá, só atendo crianças internadas, não atendo ambulatório, pois não vale a pena! Acredito que essa situação seja semelhante no país todo!
AC – Poderia “desenhar um quadro” da situação local e o que  poderia ser feito para melhor atender essas crianças?

 

MT –Temos fila para atendimento clínico. São apenas três ambulatórios para dar conta de toda a demanda. Somos muito mal remunerados o que dificulta aumentar o número de vagas.

Aqueles que são avaliados e diagnosticados como CARDIOPATAS são bem acompanhados e damos conta. O que me preocupa são os que não conseguem chegar, aqueles que não conseguem vaga para primeira consulta. Principalmente os que não moram em Londrina e que dependem da burocracia das regionais de saúde.

 

AC – O que acontece com esses?

 

MT – Vários pacientes acabam pagando consulta particular no consultório aconselhados pelos próprios funcionários dos postos de saúde, o que causa ainda mais angústia, pois após o diagnóstico, a pressa para conseguir a vaga aumenta! E a maioria não tem condições alguma de seguir o acompanhamento particular!

Para os CARDIOPATAS com indicação cirúrgica, infelizmente também existe fila. Para os casos considerados eletivos, pois as urgências a gente sempre dá um jeitinho! Atualmente a fila é de umas 15 crianças e o principal motivo é a falta de estrutura hospitalar. Temos apenas um hospital atualmente autorizado a realizar cirurgia cardíaca infantil pelo SUS, então, dependemos de vagas na UTI.

Outro problema grande que o cirurgião enfrenta é a burocracia, a papelada, o longo caminho para uma criança do interior conseguir uma cirurgia considerada ELETIVA. A demora é tão grande que muitas vezes temos que “burlar” o sistema e internamos a criança como grave, como urgente e assim conseguimos operá-la!

 

AC – O que fazer?

 

MT –  Diminuir a burocracia, os longos caminhos impostos pelo SUS é uma das medidas essenciais para fazer o sistema andar! Além de melhorar a estrutura hospitalar e a remuneração dos médicos.

Em relação ao pagamento das cirurgias conseguimos um aumento recente….após uma ameaça de paralisação feita pelos cirurgiões…mas a parte clínica não!

 

AC – Os hospitais estão preparados para atender os cardiopatas? Os médicos estão preparados ou se preparando para isso?

 

MT – Aqui em Londrina temos alguns hospitais estruturados ou se estruturando para realizar o pós-operatório de cirurgia cardíaca, porém, só temos um credenciado para atender SUS como disse anteriormente. O outro, o hospital ligado á universidade tem restrições por uma distribuição de “complexidade”  determinada pela Secretaria de Saúde. Por exemplo, só podemos operar crianças maiores de dois anos de idade. No entanto, a grande maioria das cirurgias, especialmente as de emergência, é realizada justamente nos dois primeiros anos de vida. Concluindo, temos basicamente um hospital, isto é, uma UTI para atender Londrina e região!!! É muito pouco…

 

AC – Existe ainda muita burocracia ou dificuldade quando se precisa mandar uma criança para o tratamento fora do domicílio?

 

MT – Quase nunca precisamos, ainda bem! Mas as poucas vezes que precisei foi realmente difícil e burocrático!

 

AC – O dignóstico precoce, com a inclusão do “ecofetal” como um dos exames disponíveis para todas as gestantes, poderia minimizar o número de crianças  que morrem  antes de chegar ao tratamento?

 

MT – Certamente! O diagnóstico precoce é nosso “salva vidas!” Quanto mais cedo, melhor….Se for intra-útero, melhor ainda! Dessa forma temos como nos organizar, reservar vaga na UTI, garantir que o único cirurgião cardíaco da cidade que opera criança não esteja de férias quando a criança nascer; antecipar os sintomas e tratar a criança cardiopata antes da fase de descompensação, antes que ela piore clinicamente e assim piore o resultado cirúrgico.

 

AC – Qual seria o ideal?

 

MT – O ideal seria: um pré-natal bem feito; um ultrassom morfológico bem feito que suspeite de cardiopatia e encaminhe a gestante para um ecocardiograma fetal com o cardiopediatra que fará as orientações e o acompanhamento desde o momento do diagnóstico. Assim a criança já nasce num centro especializado com condições de tratá-la desde o primeiro chorinho!

Ou, se a cardiopatia “escapa” ao ultrassom que o pediatra examine essa criança adequadamente nas primeiras horas de vida e que esteja treinado para reconhecer e suspeitar de cardiopatia congênita antes de dar alta com 48 horas.

Assim, faríamos diagnóstico da imensa maioria das cardiopatias congênitas graves de maneira precoce e eficiente!

 

AC – Isso seria o bastante para melhorar o atendimento aos cardiopatas?

 

MT – Já seria um passo gigantesco!!!!

 

AC – Recentemente uma reportagem da revista Veja afirmou que grande parte dos médicos – cirurgiões nunca se especializou realmente para  atender estas crianças e alguns nem trabalham exclusivamente com crianças (“Para se ter uma idéia, estima-se que existam hoje 908 cirurgiões cardíacos no país, dos quais apenas 495 atuam sobre algum tipo de cardiopatia congênita. Desses 495, somente 5,6% trabalham exclusivamente com cirurgias de cardiopatias congênitas. Mas o mais preocupante é que 56% de todos os cirurgiões cardíacos do Brasil não chegaram nem mesmo a ter algum tipo de treinamento para essas doenças durante a sua formação. “A situação é ainda mais grave nas regiões Norte e Nordeste”, diz Cavalcante”). O que acha disso?

 

MT – Esse assunto é delicado. Um cirurgião cardíaco infantil, isto é, especialista em cardiopatia congênita, dedica pelo menos cinco a seis anos da sua pós-graduação. Dois anos de residência em cirurgia geral, dois anos de cirurgia cardíaca e mais um ou dois anos de especialização em crianças cardiopatas. Para aprender a operar sozinho mais pelo menos um a dois anos e não pode trabalhar em qualquer lugar! Ele tem que ter uma equipe: ao menos um outro cirurgião cardíaco, ninguém opera sozinho! Uma cardiopediatra que faça ecocardiograma, uma UTI com pediatras experientes em pós-operatório, localizada num hospital bem equipado, com um bom laboratório, com uma boa equipe de fisioterapeutas etc. Então, a situação é bem complexa. Quem seria maluco de se dedicar desse tanto (seis a oito anos?) para sair procurando emprego ou tentando montar um serviço do zero?  Poucos têm essa vontade.

O Dr Ulisses Croti de Rio Preto é um exemplo de quem fez até mais que isso em termos de formação e especialização e montou seu próprio serviço mas não foi do zero! Ele se ligou a uma equipe de cirurgia de adultos etc. Foi um longo caminho e eu conheço vários q acabaram desistindo…  Não é como um clínico geral (sem menosprezar, tá?) que faz dois anos de residência em clínica médica e pode exercer a medicina em qualquer lugar do mundo!  Basta abrir um consultório e começar a trabalhar. Então, essa situação é complicada e muito delicada!

 

AC –  E a situação dos pais ao saber que irão ter um filho cardíaco, também não deveria ser tratada mediante o diagnóstico, já que o psicológico da família também fica afetada?

 

MT– Seria o ideal. Uma equipe multiprofissional treinada para discutir, atender, apoiar, explicar tudo para a família, acompanhar o antes, o durante e o depois. Porém, nesse aspecto ainda estamos engatinhando…Nem conseguimos atender as crianças cardiopatas por falta de vagas, falta de remuneração etc. Quem dirá atender as famílias? Mas gostaríamos sim, que fosse diferente. A gente acaba fazendo o que pode e nós mesmos servimos de psicólogos.

 

AC – O Dia de Conscientização da Cardiopatia Congênita, bandeira levantada pela Pequenos Corações e  pais e amigos de crianças cardiopatas,  foi importante para que  muita gente começasse a pensar sobre o assunto?

 

MT– Aqui em Londrina acredito que fará diferença sim. Aqui tudo é tão inicial que valerá até para valorizar e divulgar a especialidade cardiopediatria.

 

AC –  A criação da própria  Pequenos Corações… Pode-se dizer que fez toda a diferença?

 

MT – Ainda não fez…Mas tenho fé que fará!

 

AC – Não precisamos de mais envolvimento das partes envolvidas: Gestores, médicos, pais… sociedade civil organizada?

 

MT – Precisamos melhorar a saúde com um todo…Diminuir a burocracia, facilitar nosso trabalho, melhorar nossa remuneração, estimular a capacitação, equipar melhor os hospitais. Isso é só o começo! Pois de nada adianta aumentarmos o nosso índice de diagnóstico precoce se vamos perder crianças na fila de cirurgia? A Pequenos Corações pode ajudar a desenrolar alguns nós, chamar a atenção para alguns problemas, o “povo” tem mais força que nós médicos sozinhos.

 

AC – Na sua opinião, qual o maior  desafio daqui por diante, para que as Cardiopatias Congênitas, sejam vistas pelo país como várias outras doenças    (câncer,hipertensão arterial etc) que hoje ganham importantes campanhas nacionais e vários simpatizantes?

MT – São muitos desafios, mas o principal agora, o inicial é divulgação e informação. “A criança não é um adulto pequenininho”….Isso hoje em dia já é visto e aceito na comunidade…Há 10, 20 anos era bem diferente…A valorização do pediatra, a constatação que sua presença é imprescindível é recente…Isso é respeitado atualmente no meio médico. E na sociedade…tanto é que a Pediatria está em crise! O atendimento pediátrico está caótico! Pois as famílias estão exigindo um pediatra e os clínicos gerais estão se negando a atender crianças. E dessa crise estão surgindo soluções…Finalmente! Demorou, mas estão surgindo.

“As doenças de coração das crianças são diferentes das doenças de coração do adulto”. Estamos na fase de informar, de divulgar essas diferenças…Divulgar que existe defeito de coração antes mesmo da criança nascer! Muita gente não sabe disso. Muita criança morre sem diagnóstico da cardiopatia!

Então, antes de melhorarmos as políticas de saúde, antes de brigarmos por melhorias etc, temos que mostrar ao Brasil que a gente existe! Nós cardiopediatras grandes e os cardiopatas pequeninos!

 

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2 Respostas

  1. preciso de uma resposta para oque aconteceu cm a minha neta que nasceu cm tanta saude e derrepente veio a falecer cm cardiopatia e o coraçao grande um bebe saldavel mamando e porque os medicos nao notarao nada porfavor me ajudem a entender

    • Oi Iracele…
      Eu gostaria de ter uma resposta que fosse de encontre ao seu coração e aliviasse a sua dor… Eu imagino como deve ser perder quem se ama e de maneira inesperada assim. Mas às vezes as coisas acontecem não como queremos, nem porque Deus é “injusto”, mas porque mesmo com a morte, dor, tristeza, Ele tem propósitos e algo a nos ensinar. Cristo sempre disse que ” no mundo teríamos tribulação, mas que “ele” venceu o mundo. E pede que tenhamos bom ânimo.
      As cardiopatias congênitas ainda não tem uma explicação pela ciência. Há estudos. Infelizmente acomentem cerca de uma em cada cem crianças. A sua netinha deveria ser uma delas e que não chegou a ser diagnosticada.
      Assim como ela, muitas outras crianças, sem que se tenha notícia morrem assim… Antigamente diziam havia quem disse assim:”Morreu do mal dos sete dias”… Acredito que não tinham respostas..
      Amada, sei que a dor que sente agora irá amenizar.MAs peça a Deus que conforte o seu coração e que abra o seu entendimento para entender para que foi tudo isso.
      grande beijo!
      Durcila
      Adm do Blog, mãe da Bia, Cadu e Caio

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