• Calendário dos Cardiopatas

  • Livro da Isa

  • Arquivos

  • Vamos votar no Hospital do Davi !

  • Categorias

  • Comentários

    angela maria em Inesquecível = Thiago Saia…
    amigosdocoracao em Aprovado “Teste do Coraç…
    Francine em Vamos ajudar Bauruenses!
    iraceli donato em Rondonópolis – MT aprova…
  • Agenda

    junho 2011
    S T Q Q S S D
     12345
    6789101112
    13141516171819
    20212223242526
    27282930  
  • mais acessados

  • Crianças do coração!

  • Enquete

  • Meta

  • Autores

  • Coloque seu e-mail para receber novidades e notificações do Blog.

    Junte-se a 77 outros seguidores

China: Melhorará atenção a crianças com cardiopatia e leucemia


Beijing, 28 jun (Prensa Latina) – China melhorará a atenção à saúde de crianças com cardiopatia congênita e leucemia através da extensão de seu programa piloto de seguro médico em zonas rurais a esse grupo a partir de setembro.

A cobertura de mais de 70 por cento dos custos envolvidos no tratamento destas doenças é a taxa estabelecida no referido projeto, disse hoje o ministro de saúde, Chen Zhu, citado por meios da imprensa.

A iniciativa foi colocada em marcha em junho de 2010 em 15 regiões provinciais para ajudar a pagar em 60 por cento as despesas médicas de crianças de zonas rurais com doenças críticas.

Segundo estatísticas do mencionado ministério, até abril passado 9.059 crianças que recebem tratamento para essas patologias se beneficiaram do programa.

O novo Sistema Rural de Assistência Médica Cooperativa agora abarca 832 milhões de pessoas, mais de 96 por cento da população dessa região, destacou a fonte.

lac/tjv/es

Publicidade

Pequenos Corações apresenta: O que é cardiopatia congênita?


Tem mais em ” Nossos Vídeos”

Entrevista: Cardiopediatra de Mato Grosso fala sobre o atendimentos aos cardiopatas no estado


Publicamos hoje a nossa segunda entrevista sobre a questão das cardiopatias congênitas. Dessa vez a médica é de Mato Grosso, a cardiopediatra Maria Cecília Knoll Farah.

 Maria Cecília é pediatra pela Sociedade Brasileira de Pediatria; tem especialização em Cardiologia Pediátrica no Incor-USP – SP; é  mestre em Saúde e Ambiente pela UFMT; Doutora em Ciência – Cardiologia pelo Incor-USP –SP   e Professora de Faculdade de Medicina – UFMT.

 Há anos a médica se dedica aos “Pequenos Corações” e houve um tempo que Cuiabá só poderia contar com ela para atender essas crianças de corações especiais.  Uma apaixonada pela profissão e por seus pacientes.

Maria Cecília: Décadas dedicadas aos pequenos corações

 Amigos do Coração Como você vê a atual situação dos cardiopatas congênitos em nosso país e em especial em Cuiabá/Mato Grosso?

Maria Cecília Posso dizer que desde que as primeiras cirurgias para correção das cardiopatias congênitas ocorreram, na década de 50, o desenvolvimento cientifico e tecnológico avançou extraordinariamente graças à dedicação, empenho e investimento de muitos centros de excelência médica mundial. Dentre eles, o Professor Jesus Eurípides Zerbini no Instituto do Coração – USP foi o pioneiro no Brasil. Nesse mesmo período houve também grande avanço nos conhecimentos e técnicas de terapia intensiva pediátrica e neonatal o que sem dúvida foi importante fator de sucesso das cirurgias cardíacas pediátricas.  Hoje existem muitos serviços de Cirurgia Cardíaca Pediátrica, não só nas grandes metrópoles, mas também no interior da maioria dos estados do sul-sudeste do Brasil, que estão aptos a realizar todos os tipos de cirurgia cardíaca pediátrica com excelente índice de sucesso atendendo não só os pacientes locais, mas também os pacientes oriundos de estados e cidades que não possuem todo tipo de tratamento para essas cardiopatias, como é o caso de Mato Grosso

Amigos do Coração    Cuiabá já consegue atender a grande maioria dos seus casos com cirurgias? O que falta para isso? Poderia  “desenhar um quadro” da situação local e o que  poderia ser feito para melhor atender essas crianças?

Maria Cecília Primeiro é preciso esclarecer que existem diferentes tipos de cirurgias cardíacas pediátricas com diferentes graus de complexidade. Há cirurgias para corrigir definitivamente o defeito cardíaco congênito. São cirurgias de grande porte, realizadas “dentro” do coração enquanto uma máquina mantém a circulação do sangue garantindo a sobrevivência do paciente. Em outras situações há necessidade de realizar-se um procedimento paliativo (não corretivo) que garanta a sobrevida do paciente postergando cirurgia cardíaca corretiva. É um procedimento mais simples, mas também muito delicado.

 Temos também que considerar a diversidade de pacientes. Por exemplo; existem pacientes que precisam de cirurgia logo após o nascimento quando pesam de 2 a 3 kg. Existem até prematuros com menos de um quilo nessa situação. Por outro lado existem crianças que conseguem conviver com sua cardiopatia por anos necessitando de cirurgia quando já tem idade e peso maiores.

Em Cuiabá é realizada a maioria das cirurgias paliativas, mesmo em recém nascidos muito pequenos, mas as cirurgias corretivas são realizadas apenas para crianças maiores. Resta, portanto uma lacuna que engloba grande número de crianças que precisam ser transferidas para outros estados para receberem o tratamento adequado. O pior é que muitas vezes isto ocorre em situações críticas e urgentes obrigando a transferências em UTI aérea.  Fazendo uma comparação com a cirurgia cardíaca pediátrica praticada atualmente nos centros de excelência do Brasil e do mundo posso afirmar que o MT está 40 anos atrasado.

Amigos do Coração       Os hospitais estão preparados para atender os cardiopatas?

Maria Cecília Nos últimos 25-30 anos várias equipes de cirurgia cardíaca se esforçaram por implantar a cirurgia cardíaca pediátrica em Cuiabá. Atualmente a maioria das equipes opera adultos e jovens com mais de 30kilos. Apenas uma equipe realiza cirurgias em crianças graças à persistência e dedicação da equipe da Dra. Ana Helena Dotta, cirurgiã cardiovascular que realiza os procedimentos de cirurgia cardíaca paliativa no período neonatal e os procedimentos corretivos em crianças maiores. Trabalhando há  aproximadamente 10 anos,  muitos prematuros, inclusive os prematuros extremos que pesam menos de 1 kilo, recém nascidos cardiopatas e crianças maiores  foram operados.  O trabalho desta equipe poderia ser  muito mais abrangente se tivesse recebido o apoio necessário das Secretarias de Saúde, já que a maioria das crianças cardiopatas necessita de atendimento pelo SUS. Em várias ocasiões o trabalho desta equipe foi lamentavelmente interrompido por muitos meses em decorrência da interrupção de contrato ou do pagamento dos procedimentos já realizados pelo SUS.

Amigos do Coração       Existe ainda muita burocracia ou dificuldade quando se precisa mandar uma criança para o tratamento fora do domicílio?

Maria Cecília A maior dificuldade é conseguir a vaga para os pacientes de MT nos serviços de cirurgia de outros estados.  O agendamento da consulta ou transferência é feito por uma central nacional de regulação de procedimentos de alta complexidade (CNRAC), na qual nossos pacientes são inseridos via internet. Muitas vezes são meses de espera.  Os casos que necessitam da transferência em caráter de urgência são ainda mais complicados, pois existe uma lacuna entre a CNRAC, que não tem um fluxograma diferenciado para casos urgentes e central de urgência e emergência do estado, pois esta faz a regulação apenas dentro do estado de MT.

Amigos do Coração      O diagnóstico precoce, com a inclusão do “eco fetal” como um dos exames disponíveis para todas as gestantes, poderia minimizar o número de crianças que morrem antes de chegar ao tratamento?

Maria Cecília Sem dúvida, a tal ponto que Curitiba, por exemplo, instituiu o programa “mãe Curitibana” onde todas as gestantes são submetidas ao ecocardiograma fetal.

Há também de se destacar a importância do catetrismo. Trata-se de procedimento de grande importância tanto no diagnóstico como promovendo intervenções terapêuticas que  evita uma cirurgia. Esta tecnologia tem avançado muito nos últimos anos  e muitos das cardiopatias que há poucos anos necessitava de cirurgia, atualmente podem ser resolvidas pelo cateterismo intervencionista.  Neste aspecto Cuiabá conta com bons profissionais.

Amigos do Coração      Somente isso seria o bastante para melhorar o atendimento aos cardiopatas?

Maria Cecília Não, é um passo importante, mas no caso de MT é preciso dar maior apoio para que a cirurgia pediátrica possa progredir e se tornar mais atuante. Paralelamente precisamos também de maior número de cardiopediatras e de leitos de terapia intensiva pediátrica

Amigos do Coração Pesquisa mostrada na Veja (Com base em estudo do cirurgião cardiovascular Valdester Cavalcante- CE) diz que “O problema no atendimento a esses pacientes é agravado com a primeira geração de cardiopatas congênitos que acaba de chegar à idade adulta. Como a situação ainda é inédita, já que a sobrevida dessas pessoas nunca na história da medicina foi tão alta, a cardiologia se encontra num impasse – e tem poucas pesquisas em que se basear. Quem seria o melhor especialista para atender a esses adultos cardiopatas: um cirurgião pediátrico ou aquele que só opera adulto, mas que sabe tratar cardiopatia congênita? “Existe ainda a possibilidade de um terceiro tipo de médico, especializado nesses pacientes”, diz Nadja Cecilia Kraychete de Castro, coordenadora do Serviço de Cirurgia em Cardiopatia Congênita do Hospital Ana Nery, em Salvador”.  O que a senhora acha Dra? 

Maria Cecília A exemplo do que ocorreu no exterior Já existe um grupo de cardiopediatras se organizando no Brasil para estudar esta questão e o atendimento destes pacientes.

Amigos do Coração E a situação dos pais ao saber que irão ter um filho cardíaco, também não deveria ser tratada mediante o diagnóstico, já que o psicológico da família também fica afetado?

Maria Cecília Geralmente as equipes de cirurgia cardíaca pediátricas são multidisciplinares e o papel da Psicóloga é muito importante, não só para abordar o paciente, mas também para dar apoio para os familiares.

Amigos do Coração O Dia de Conscientização da Cardiopatia Congênita, bandeira levantada pela Associação de Assistência à Criança Cardiopata Pequenos Corações (com sede em São Paulo) e pais e amigos de crianças cardiopatas, foi importante para que muita gente começasse a pensar sobre o assunto?

Maria Cecília Sem dúvida. Minha expectativa é que sim. Precisamos principalmente chamar a atenção dos gestores de saúde de MT para este grupo de pacientes.

Amigos do Coração A criação da própria Pequenos Corações… Pode-se dizer que fez toda a diferença?

Acredito que em MT ainda fará, promovendo a discussão do assunto na sociedade como um todo.

Amigos do Coração Não precisamos de mais envolvimento das partes envolvidas: Gestores, médicos, pais… Sociedade civil organizada?

Maria Cecília  Creio que seja esta a principal função do grupo Pequenos Corações. Em Cuiabá existem profissionais capacitados  para alavancar o progresso da cirurgia cardíaca pediátrica em MT.

Amigos do Coração Em sua opinião, qual o maior desafio, daqui por diante, para que as Cardiopatias Congênitas sejam vistas pelo país como várias outras doenças (câncer, hipertensão arterial etc.) que hoje ganham importantes campanhas nacionais e vários simpatizantes?

Maria Cecília O maior desafio é conseguir a conscientização da sociedade como um todo. Os grupos, como o do câncer,  que hoje tem grande penetrância na mídia e conseguem muita ajuda da sociedade, estão colhendo frutos de décadas de trabalho de pais e amigos que defendem suas causas. 

Amigos do Coração    Poderia tecer  as suas considerações finais…

Maria Cecília Gosto de acreditar que nosso  Estado, que é  o “celeiro do mundo”,  região de grande progresso e pujança, onde vemos diariamente as transformações ocorrendo em vários setores: econômicos, na construção civil,na agropecuária, na  iniciativa privada  etc., possa proporcionar as condições necessárias para que o progresso chegue também para a assistência das crianças com cardiopatias congênitas.

 

Cardiopatia – Campanha


Calendário das comemorações do Dia de Conscientização da Cardiopatia Congênita


As comemorações em Bauru e  Londrina estão disponiblizadas em banners específicos neste site

São Paulo

Dia 13-06

Sessão Solene na Câmara Municipal de São Paulo com a presença e homenagem às “mulheres da cardiologia pediátrica de S.P.” às 19h

Homenageadas: Dra. Beatriz Helena Sanches Furlanetto, Dra. Carla Tanamati, Dra. Célia Maria Camelo da Silva, Dra. Ieda Biscegli Jatene, Dra. Lilian M. Lopes,  Dra. Luciana da Fonseca, Dra. Magaly Arrais dos Santos, Dra. Maria Aparecida de Almeida e Silva, Dra. Maria Lúcia Passarelli, Dra. Maria Virgínia Tavares Santana, Dra. Nana Miura Ikari, Dra. Sandra Regina Celeste Henriques da Costa, Dra. Simone Rolim Fernandes Fontes Pedra, Dra. Sônia Meiken Franchi, Profa. Dra. Estela Azeka.

De 13 a 17-06

Exposição  itinerante: “ A luta dos pequenos corações – uma lição de amor e respeito à vida”  Banners com fotos e depoimentos de familiares de cardiopatas. No saguão da Câmara Municipal de São Paulo.

Araraquara – SP

Coleta de assinaturas (abaixo assinado) para aprovação do dia da cardiopatia congênita a nível nacional.

Distribuição de material informativo.

Entrega de lembranças.

Homenagem às crianças cardiopatas que lutaram e continuam lutando pela vida.

Dia 10/06

Local: praça santa cruz

Horário: das 19 às 22 horas

 Dia 11/06

Local: Praça Santa Cruz

Horário: das 09 às 17 horas

 Dia 12/06

Local: praça da capela sagrado coração de jesus – bueno de andrada

Horário: das 10 às 15 horas

 17/06

Evento em homenagem ao Dia da Conscientização da Cardiopatia Congênita

Local: Etec  Profª  Anna de Oliveira Ferraz (industrial)

Anfiteatro prof. Edmundo Vicentini

Rua Bandeirantes, 503 – centro

Horário: 19h30m

Informações: tfrlima@hotmail.com

  Belo Horizonte (MG)

12-06

No Instituto Biocor Belo Horizonte – Nova Lima (BIOCOR está localizado na Região Metropolitana de BH) às 09:30 da manhã

  Atividades:

 Distribuição dos laços da campanha

 Café da Manhã entre crianças e mães;

 Bate-papo com crianças e mães;

 Distribuição de guloseimas; pirulitos em formato de coração;

 Distribuição de balões em formato de coração;

 Momento de oração;

 CONFIRMADO presença da “Patrulha da Alegria”

Informações:  tatiana@tradimaq.com.br

 Sorocaba – SP

Eventos estão sendo organizados entre os dias 13 e 17 de Junho na escola Renato Sêneca com a participação de alunos e professores. Arrecadação de itens e realização de rifas para ajudar as crianças cardiopatas.

15-06

Sessão Solene na Câmara Municipal

18-06

Pizza Solidaria às 19h30 no Kenzo Eventos

Informações: thaissantoro@hotmail.com

 Curitiba (PR)

Dia 11-06

Divulgação na RUA XV DE NOVEMBRO (centro comercial da cidade)

Entrega de laços  para  os profissionais da cardiologia do Hospital Pequeno Príncipe.

Até o momento foram esses os eventos confirmados que  a AACC Pequenos Corações recebeu informações.

Mais cidades também  farão comemorações: Recife (PE), Macapá (AP), São Luiz (MA), Taubaté(SP), Caçapava(SP), Roseira(SP), Cuiabá (MT ), Várzea Grande (MT), Campinas (SP), Indaiatuba(SP), Porto Alegre(RS), Lages (SC), Bento Gonçalves (RS), Vacaria(RS), Caxias do Sul (RS), entre outras.

Médica analisa quadro da cardiopatia congênita em Londrina e no País


 Estamos há alguns dias do Dia de Conscientização da Cardiopatia Congênita  (12 de junho) e  então procuramos alguns médicos especialistas para nos responder como eles vêem a situação em suas cidades/estados.

Lembramos que a nossa intenção é apenas saber da realidade enfrentada por estes profissionais relacionada com o dia-a-dia com seus pacientes e não debater opiniões, que aqui poderão coincidir ou divergir.

A nossa primeira entrevistada é a médica cardiopediatra Márcia Thomson, de Londrina – PR.  

Márcia Thomson é graduada pela Universidade de Londrina (1996); pós-graduada em pediatria no Ino Instituto da Criança da Faculdade de Medicina da USP-SP; em Cardiologia Pediátrica e Ecocardiografia fetal e infantil no InCor-SP.

Uma talentosa médica, que exerce sua profissão com amor e dedicação para que a vida dessas crianças de coração especial seja a melhor possível. Ela atua hoje no seu consultório particular; Hospital universitário (Universidade Estadual de Londrina);Hospital Evangélico de Londrina e Clínica Gemina.

Márcia Thomson: amor e dedicação aos “pequenos corações”

Amigos do Coração – Como você vê a atual situação dos cardiopatas congênitos em nosso país e em especial em Londrina?

 

Márcia Thomson – A situação atual está muito longe da ideal…
Temos poucos cardiopediatras distribuídos pelo Brasil, o que dificulta atender a demanda.
Aqui em Londrina, são aproximadamente 550 a 600 mil habitantes e somos apenas duas cardiopediatras e um cirurgião cardíaco infantil…e somos referência para uma grande região o que aumenta ainda mais a demanda.

Existem filas para atendimento ao Sistema Único de Saúde (SUS). Não sei te dizer o quanto é longa mas sei que existe. E também não sei te precisar quanto tempo demora para se conseguir uma consulta para os moradores de Londrina. No entanto, creio que não demore mais que dois meses.  Mas para região é mais complicado!

 

AC – E…

 

MT – O que mais desanima é que a remuneração da parte clínica pelo SUS é absurda!!!! Para você ter uma idéia, estou em Londrina há quase sete anos e o que ganho pelo SUS nem entra na minha contabilidade! Atendo SUS no Hospital Evangélico e no Hospital Universitário. No hospital ligado à universidade, a remuneração é melhor. Lá ganho por horas trabalhadas e não por pacientes atendidos. No entanto, no hospital Evangélico é cômico! Tenho um extrato guardado há uns quatro anos que ganhei R$ 0,50 (isto mesmo cinqüenta centavos!) por uma avaliação de um bebê internado…Saí da minha casa, fui ao hospital e ganhei R$0,50! Lá, só atendo crianças internadas, não atendo ambulatório, pois não vale a pena! Acredito que essa situação seja semelhante no país todo!
AC – Poderia “desenhar um quadro” da situação local e o que  poderia ser feito para melhor atender essas crianças?

 

MT –Temos fila para atendimento clínico. São apenas três ambulatórios para dar conta de toda a demanda. Somos muito mal remunerados o que dificulta aumentar o número de vagas.

Aqueles que são avaliados e diagnosticados como CARDIOPATAS são bem acompanhados e damos conta. O que me preocupa são os que não conseguem chegar, aqueles que não conseguem vaga para primeira consulta. Principalmente os que não moram em Londrina e que dependem da burocracia das regionais de saúde.

 

AC – O que acontece com esses?

 

MT – Vários pacientes acabam pagando consulta particular no consultório aconselhados pelos próprios funcionários dos postos de saúde, o que causa ainda mais angústia, pois após o diagnóstico, a pressa para conseguir a vaga aumenta! E a maioria não tem condições alguma de seguir o acompanhamento particular!

Para os CARDIOPATAS com indicação cirúrgica, infelizmente também existe fila. Para os casos considerados eletivos, pois as urgências a gente sempre dá um jeitinho! Atualmente a fila é de umas 15 crianças e o principal motivo é a falta de estrutura hospitalar. Temos apenas um hospital atualmente autorizado a realizar cirurgia cardíaca infantil pelo SUS, então, dependemos de vagas na UTI.

Outro problema grande que o cirurgião enfrenta é a burocracia, a papelada, o longo caminho para uma criança do interior conseguir uma cirurgia considerada ELETIVA. A demora é tão grande que muitas vezes temos que “burlar” o sistema e internamos a criança como grave, como urgente e assim conseguimos operá-la!

 

AC – O que fazer?

 

MT –  Diminuir a burocracia, os longos caminhos impostos pelo SUS é uma das medidas essenciais para fazer o sistema andar! Além de melhorar a estrutura hospitalar e a remuneração dos médicos.

Em relação ao pagamento das cirurgias conseguimos um aumento recente….após uma ameaça de paralisação feita pelos cirurgiões…mas a parte clínica não!

 

AC – Os hospitais estão preparados para atender os cardiopatas? Os médicos estão preparados ou se preparando para isso?

 

MT – Aqui em Londrina temos alguns hospitais estruturados ou se estruturando para realizar o pós-operatório de cirurgia cardíaca, porém, só temos um credenciado para atender SUS como disse anteriormente. O outro, o hospital ligado á universidade tem restrições por uma distribuição de “complexidade”  determinada pela Secretaria de Saúde. Por exemplo, só podemos operar crianças maiores de dois anos de idade. No entanto, a grande maioria das cirurgias, especialmente as de emergência, é realizada justamente nos dois primeiros anos de vida. Concluindo, temos basicamente um hospital, isto é, uma UTI para atender Londrina e região!!! É muito pouco…

 

AC – Existe ainda muita burocracia ou dificuldade quando se precisa mandar uma criança para o tratamento fora do domicílio?

 

MT – Quase nunca precisamos, ainda bem! Mas as poucas vezes que precisei foi realmente difícil e burocrático!

 

AC – O dignóstico precoce, com a inclusão do “ecofetal” como um dos exames disponíveis para todas as gestantes, poderia minimizar o número de crianças  que morrem  antes de chegar ao tratamento?

 

MT – Certamente! O diagnóstico precoce é nosso “salva vidas!” Quanto mais cedo, melhor….Se for intra-útero, melhor ainda! Dessa forma temos como nos organizar, reservar vaga na UTI, garantir que o único cirurgião cardíaco da cidade que opera criança não esteja de férias quando a criança nascer; antecipar os sintomas e tratar a criança cardiopata antes da fase de descompensação, antes que ela piore clinicamente e assim piore o resultado cirúrgico.

 

AC – Qual seria o ideal?

 

MT – O ideal seria: um pré-natal bem feito; um ultrassom morfológico bem feito que suspeite de cardiopatia e encaminhe a gestante para um ecocardiograma fetal com o cardiopediatra que fará as orientações e o acompanhamento desde o momento do diagnóstico. Assim a criança já nasce num centro especializado com condições de tratá-la desde o primeiro chorinho!

Ou, se a cardiopatia “escapa” ao ultrassom que o pediatra examine essa criança adequadamente nas primeiras horas de vida e que esteja treinado para reconhecer e suspeitar de cardiopatia congênita antes de dar alta com 48 horas.

Assim, faríamos diagnóstico da imensa maioria das cardiopatias congênitas graves de maneira precoce e eficiente!

 

AC – Isso seria o bastante para melhorar o atendimento aos cardiopatas?

 

MT – Já seria um passo gigantesco!!!!

 

AC – Recentemente uma reportagem da revista Veja afirmou que grande parte dos médicos – cirurgiões nunca se especializou realmente para  atender estas crianças e alguns nem trabalham exclusivamente com crianças (“Para se ter uma idéia, estima-se que existam hoje 908 cirurgiões cardíacos no país, dos quais apenas 495 atuam sobre algum tipo de cardiopatia congênita. Desses 495, somente 5,6% trabalham exclusivamente com cirurgias de cardiopatias congênitas. Mas o mais preocupante é que 56% de todos os cirurgiões cardíacos do Brasil não chegaram nem mesmo a ter algum tipo de treinamento para essas doenças durante a sua formação. “A situação é ainda mais grave nas regiões Norte e Nordeste”, diz Cavalcante”). O que acha disso?

 

MT – Esse assunto é delicado. Um cirurgião cardíaco infantil, isto é, especialista em cardiopatia congênita, dedica pelo menos cinco a seis anos da sua pós-graduação. Dois anos de residência em cirurgia geral, dois anos de cirurgia cardíaca e mais um ou dois anos de especialização em crianças cardiopatas. Para aprender a operar sozinho mais pelo menos um a dois anos e não pode trabalhar em qualquer lugar! Ele tem que ter uma equipe: ao menos um outro cirurgião cardíaco, ninguém opera sozinho! Uma cardiopediatra que faça ecocardiograma, uma UTI com pediatras experientes em pós-operatório, localizada num hospital bem equipado, com um bom laboratório, com uma boa equipe de fisioterapeutas etc. Então, a situação é bem complexa. Quem seria maluco de se dedicar desse tanto (seis a oito anos?) para sair procurando emprego ou tentando montar um serviço do zero?  Poucos têm essa vontade.

O Dr Ulisses Croti de Rio Preto é um exemplo de quem fez até mais que isso em termos de formação e especialização e montou seu próprio serviço mas não foi do zero! Ele se ligou a uma equipe de cirurgia de adultos etc. Foi um longo caminho e eu conheço vários q acabaram desistindo…  Não é como um clínico geral (sem menosprezar, tá?) que faz dois anos de residência em clínica médica e pode exercer a medicina em qualquer lugar do mundo!  Basta abrir um consultório e começar a trabalhar. Então, essa situação é complicada e muito delicada!

 

AC –  E a situação dos pais ao saber que irão ter um filho cardíaco, também não deveria ser tratada mediante o diagnóstico, já que o psicológico da família também fica afetada?

 

MT– Seria o ideal. Uma equipe multiprofissional treinada para discutir, atender, apoiar, explicar tudo para a família, acompanhar o antes, o durante e o depois. Porém, nesse aspecto ainda estamos engatinhando…Nem conseguimos atender as crianças cardiopatas por falta de vagas, falta de remuneração etc. Quem dirá atender as famílias? Mas gostaríamos sim, que fosse diferente. A gente acaba fazendo o que pode e nós mesmos servimos de psicólogos.

 

AC – O Dia de Conscientização da Cardiopatia Congênita, bandeira levantada pela Pequenos Corações e  pais e amigos de crianças cardiopatas,  foi importante para que  muita gente começasse a pensar sobre o assunto?

 

MT– Aqui em Londrina acredito que fará diferença sim. Aqui tudo é tão inicial que valerá até para valorizar e divulgar a especialidade cardiopediatria.

 

AC –  A criação da própria  Pequenos Corações… Pode-se dizer que fez toda a diferença?

 

MT – Ainda não fez…Mas tenho fé que fará!

 

AC – Não precisamos de mais envolvimento das partes envolvidas: Gestores, médicos, pais… sociedade civil organizada?

 

MT – Precisamos melhorar a saúde com um todo…Diminuir a burocracia, facilitar nosso trabalho, melhorar nossa remuneração, estimular a capacitação, equipar melhor os hospitais. Isso é só o começo! Pois de nada adianta aumentarmos o nosso índice de diagnóstico precoce se vamos perder crianças na fila de cirurgia? A Pequenos Corações pode ajudar a desenrolar alguns nós, chamar a atenção para alguns problemas, o “povo” tem mais força que nós médicos sozinhos.

 

AC – Na sua opinião, qual o maior  desafio daqui por diante, para que as Cardiopatias Congênitas, sejam vistas pelo país como várias outras doenças    (câncer,hipertensão arterial etc) que hoje ganham importantes campanhas nacionais e vários simpatizantes?

MT – São muitos desafios, mas o principal agora, o inicial é divulgação e informação. “A criança não é um adulto pequenininho”….Isso hoje em dia já é visto e aceito na comunidade…Há 10, 20 anos era bem diferente…A valorização do pediatra, a constatação que sua presença é imprescindível é recente…Isso é respeitado atualmente no meio médico. E na sociedade…tanto é que a Pediatria está em crise! O atendimento pediátrico está caótico! Pois as famílias estão exigindo um pediatra e os clínicos gerais estão se negando a atender crianças. E dessa crise estão surgindo soluções…Finalmente! Demorou, mas estão surgindo.

“As doenças de coração das crianças são diferentes das doenças de coração do adulto”. Estamos na fase de informar, de divulgar essas diferenças…Divulgar que existe defeito de coração antes mesmo da criança nascer! Muita gente não sabe disso. Muita criança morre sem diagnóstico da cardiopatia!

Então, antes de melhorarmos as políticas de saúde, antes de brigarmos por melhorias etc, temos que mostrar ao Brasil que a gente existe! Nós cardiopediatras grandes e os cardiopatas pequeninos!

 

Atenção pessoal de Bauru e região: Vamos participar!


Atenção pessoal de Londrina e região!