Quando a gravidez é contraindicada

Ginecologista Paulo Marinho faz alerta às portadoras de doenças pulmonares

A gravidez é responsável por uma revolução no corpo de uma mulher. São inúmeras as alterações que acometem o corpo feminino, dentre elas reações metabólicas, imunológicas e circulatórias imprescindíveis ao pleno desenvolvimento do bebê. O coração, por exemplo, durante a gestação, trabalha 50% a mais do que o normal. Por isso, uma pessoa com comprometimento das funções cardíacas e/ou pulmonares é aconselhada a não engravidar.

E é nesta condição em que se enquadra uma portadora de HAP. Segundo especialistas, em razão da gravidade do quadro progressivo da HAP, a gravidez é contra indicada para mulheres portadoras da doença. Evitar uma gestação é considerado pelos médicos uma medida preventiva, visto que a gestação sobrecarrega o corpo humano, em especial a parte cardiorrespiratória, e pode significar riscos para a saúde da mãe e do bebê, portanto, A manutenção de uma gravidez em pacientes com HAP não é aconselhável.

Para o obstetra e ginecologista Dr. Paulo Marinho, professor da Unirio e responsável pelo setor de Obstetrícia da Clínica Perinatal Laranjeiras, no Rio de Janeiro, o ideal é que a portadora de lesão grave não engravide a fim de evitar uma crise de insuficiência cardíaca e pulmonar. “Uma mulher saudável, durante o período gestacional, já tem aumento do volume sanguíneo em aproximadamente 40%, aumentando assim o trabalho cardíaco e pulmonar fisiologicamente. Isto ocorre devido ao aumento da retenção de líquido pelo corpo. Para uma paciente com doença crônica pulmonar, o quadro tende a se agravar bastante, devido à sobrecarga dos seus vasos sanguíneos, coração e pulmão, levando a uma oxigenação insuficiente, prejudicando a mãe e o feto”, adverte o médico.

O pneumologista e coordenador do ambulatório de HAP do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Dr. Daniel Waetge, afirma que o índice de mortalidade nos casos de portadoras que optam por ter o filho é de 30% a 50%. “Pelo risco à mãe e ao feto, a gravidez deve ser fortemente desestimulada. Os potenciais problemas e riscos têm que ser informados à paciente. Naturalmente, quanto pior a condição da mãe, analisada pela classe funcional da doença – dados clínicos, hemodinâmicos e laboratoriais –, maior o risco”, alerta.

Segundo o Dr. Waetge, apesar deste período de gravidez e parto não significar que a doença será agravada permanentemente após o nascimento e as semanas iniciais pós-parto, o mais correto é que a mulher com HAP não se exponha aos riscos. “Durante a gravidez, ocorrem modificações fisiológicas que podem ter graves consequências para as pacientes portadoras de HAP. Também o momento do parto impõe intensas alterações, especialmente circulatórias, que são potencialmente muito graves para essas pacientes. Isso piora a Classe Funcional da HAP e pode ser uma ameaça grave à mãe e consequentemente à criança”.

No período da gestação, a pressão pulmonar pode aumentar ou até reduzir, mas não significa, especificamente, piora ou melhora, além de haver redução do débito cardíaco. “As modificações fisiológicas da gravidez se referem à retenção de água, aceleração do ritmo cardíaco, aumento de peso da grávida, entre outras. Essas alterações provocam aumento do trabalho cardíaco e podem diminuir sua eficiência e incapacidade de atender às necessidades do organismo”, ressalta o Dr. Waetge.

Pneumologista explica o porquê da gravidez ser contraindicada

Segundo o pneumologista também não é incomum casos em que mulheres descobrem serem portadoras de HAP durante a gravidez, por conta dos diversos exames que são feitos no período pré-natal. “Para estes casos, a sugestão é que a gestante solicite o aborto terapêutico, que será avaliado por um comitê de ética médica. O procedimento é recomendado principalmente para pacientes nas Classes Funcionais III e IV, que são as escalas mais graves da HAP. E o ideal é que a interrupção da gestação seja realizada nos primeiros meses”, orienta.

É preciso evitar a gravidez

Devido à gravidade de se submeter a uma gestação, a prevenção é essencial para o melhor prognóstico da doença. Para os especialistas é importante o uso de métodos contraceptivos com certos cuidados. “São recomendados dois métodos associados para aumentar a garantia de prevenção à gravidez. Os métodos anticoncepcionais de barreira normalmente mais utilizados nestes casos são o DIU (dispositivo intra-uterino), mas que frequentemente está associado à maior sangramento pelo uso associado do anticoagulante, e o uso de pílulas com baixa quantidade de hormônios, que devem ser criteriosamente utilizados, pois algumas combinações estão associadas ao maior risco de trombose (coágulos) e embolia pulmonar”, orienta o Dr. Waetge.

O ginecologista também apoia o uso de contraceptivos e garante que a vontade da mulher terá grande relevância na escolha do método. “Quem define é a paciente. O médico sugere uma lista de opções indicadas ao seu caso e a mulher analisa à qual mais se adapta. A laqueadura pode ser cogitada, no entanto é uma avaliação muito pessoal, visto que é irreversível”, ressalta Dr. Marinho.

Outras opções também podem ser avaliadas, como o marido da portadora de HAP se submeter à vasectomia, e a gestação de substituição (barriga de aluguel), que pode acarretar implicações legais, éticas, médicas e emocionais, por isso devem ser avaliadas anteriormente. A laqueadura de trompas também se configura como uma alternativa, podendo ter contraindicação, se houver restrição clínica para um procedimento cirúrgico. Caso esteja em uso de anticoagulante pode ser necessária mudança do medicamento para a realização do procedimento.

A relação com o ginecologista

Dr. Paulo Marinho salienta que as pacientes devem discutir com seu ginecologista sobre os riscos que sua condição clínica as expõe. “A automedicação pode agravar a doença. Alguns métodos têm contraindicações específicas, como certos anticoncepcionais, em especial para pacientes com histórico de tromboses ou acidente vascular cerebral (AVC) e o DIU para portadores de doenças infecciosas na área ginecológica. Por isso, o médico deve estar ciente da gravidade da doença da paciente para avaliar os cuidados peculiares ao seu caso”, orienta.

 (FONTE: Matérias Exclusivas do Portal HAP )

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