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Malformações cardíacas podem ser identificadas durante a vida fetal


Simone Pedra

Problemas podem ser podem ser identificados a partir da 12ª semana

 

Cronologicamente, primeiro surge o sangue, depois os vasos e por fim o coração no feto. Os problemas cardíacos podem surgir desde essa fase. Quem fala sobre isso é Dra. Simone R. F. Fontes Pedra, cardiologista pediátrica e fetal do Hospital do Coração/SP fala sobre o assunto.

 Os problemas no coração podem ser diagnosticados no início da gestação?

Os órgãos e sistemas do corpo humano se desenvolvem entre a 4a e 8a semana de gestação. Nesta fase o coração vai se formando e se unindo aos vasos sanguíneos. Ao final da 7a semana é que se iniciam os batimentos cardíacos. Neste período as estruturas ainda são microscópicas e não são visíveis ao ultra-som. Somente a partir da 12a a 14a semana de gestação é que podemos observar ao ultra-som as características mais grosseiras do coração e identificar possíveis anormalidades na estrutura, função e nos batimentos do coração fetal.

 

Quais são os problemas cardíacos mais comuns no feto?

Existem inúmeras malformações congênitas do coração, sendo que a grande maioria delas pode ser diagnosticada durante a vida fetal. São malformações que envolvem o mau desenvolvimento dos ventrículos, das válvulas ou das grandes artérias. Uma das mais comuns e graves anomalias cardíacas estruturais observadas no feto é a Síndrome de Hipoplasia do Coração Esquerdo em que as estruturas cardíacas do lado esquerdo não se desenvolvem adequadamente. Também podem ser observadas alterações do ritmo do coração fetal caracterizadas por batimentos cardíacos muito rápidos, chamadas de taquicardias fetais, ou mesmo muito devagar nos casos de bloqueios atrioventricular.

 

Há problemas que podem ser provocadas pelo uso de medicamentos, drogas ou ainda algum vício da gestante?

Na grande maioria das alterações cardíacas fetais não se identifica claramente a causa que desencadeou esta alteração. Entretanto, sabemos que o uso de algumas medicações, tais como aquelas usadas para o tratamento de convulsões ou distúrbios psiquiátricos (fenobarbital, benzodiazepínicos e alguns antidepressivos), o uso de drogas ilícitas como cocaína e a ingestão abusiva de álcool no início da gestação podem afetar o desenvolvimento e a formação das estruturas do coração. Mães e pais que nasceram com defeitos do coração também têm um risco maior de ter filhos afetados, assim como as gestantes diabéticas.

 

Quais são exames, triagem ou análises que podem ser feitos para se ter um diagnóstico específico?

A triagem das malformações cardíacas se inicia no exame de ultra-som morfológico realizado entre 11 e 13 semanas de gestação em que se mede a translucência nucal, avalia-se o Doppler do ducto venoso e se pesquisa a presença de insuficiência tricúspide. Este exame é muito importante para a suspeita precoce de Síndromes Genéticas e Cardiopatias Congênitas. Entretanto o diagnóstico específico das anomalias congênitas do coração é realizado pela Ecocardiografia Fetal. Trata-se de um ultra-som do coração do feto realizado pelo especialista em Ecocardiografia Fetal e Pediátrica. Este exame normalmente é realizado a partir da 18a semana de gestação, mas pode ser antecipado para 14 a 16 semanas quando o exame da transluscência nucal está alterado.

 

Depois de feito o diagnóstico, quais os cuidados na gestação para com o feto debilitado?

Normalmente os fetos portadores de cardiopatias congênitas passam muito bem na vida intra-uterina graças à circulação fetal, que é bem diferente da circulação pós-natal. Algumas malformações cardíacas, entretanto, podem desencadear insuficiência cardíaca, requerendo cuidados específicos durante a gestação como uso de alguns medicamentos pela mãe e controles de ecocardiogramas fetais seriados.

 

Identificando anomalias e ou problemas, há tratamentos?

Atualmente existem algumas possibilidades de tratamento intra-útero, principalmente em se tratando de alterações do ritmo do coração fetal. O cardiologista fetal administra medicamentos para a mãe controlar os disparos do coração do bebê.  Algumas cardiopatias estruturais muito graves podem ser abordadas intra-útero por meio de agulhas e balões que atingem o coração do feto puncionando-se a barriga da mãe. Estes procedimentos são realizados no centro cirúrgico e são guiados pelo ecocardiograma fetal. Eles têm como objetivo favorecer melhores condições de nascimento aos bebês gravemente acometidos. Por vezes o tratamento intra-útero ameniza a gravidade da doença após o nascimento, entretanto não é capaz de curá-la definitivamente. A intervenção na vida pré-natal é uma ponte para que o tratamento pós-natal seja realizado com o bebê em melhores condições.

 

Se o feto tem problemas cardíacos há risco para a gestante?

Os problemas cardíacos do feto não interferem na saúde da gestante. Nos casos de insuficiência cardíaca fetal grave é possível ocorrer um grande aumento do líquido amniótico podendo distender muito o útero materno e desencadear trabalho de parto prematuro.

 

Na hora do parto do feto cardíaco há cuidados específicos?

Em algumas doenças cardíacas do feto é desaconselhado que o parto seja por via vaginal. O ideal é realizar um parto cesáreo programado e, dependendo do tipo de anomalia, que este seja realizado no próprio Hospital de Cardiologia provido de todos os recursos médicos, cirúrgicos e de cateterismo terapêutico para o tratamento imediato do bebê. A grande vantagem de se ter o diagnóstico de cardiopatias congênitas ainda na vida intra-uterina é poder programar o parto e o atendimento neonatal imediato prevenindo que a situação clínica do bebê se torne muito grave ou até irreversível.

 

Como está o Brasil em termos de aparelhamento e metodologias nos tratamentos de cardiopatias de fetos?

O Brasil é um dos poucos países do mundo que dispõe de equipes médicas que atuam no tratamento invasivo de cardiopatias fetais, despontando nesta área ao lado dos Estados Unidos e de raros centros na Europa.

(Fonte Original: Coração Saudável)

 

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Coração aumentado


Excesso de hormônio tireoidiano (T3), obesidade, hipertensão e diabetes podem fazer a massa do coração crescer em até 20%, podendo levar à morte. Uma pesquisa desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) descobriu um dos mecanismos pelos quais o T3 atua nesse processo contribuindo para que futuros medicamentos possam ser produzidos para bloquear o crescimento cardíaco. “Descobrimos que o T3 provoca o crescimento do coração por meio de uma via bioquímica conhecida pela sigla WNT. Quando essa via é inibida, o hormônio não consegue fazer o coração crescer”, disse o biólogo Anselmo Sigari Moriscot, professor associado do Departamento de Biologia Celular e do Desenvolvimento do Instituto de Ciências Biomédicas. Moriscot coordena o projeto “Papel da beta-catenina na resposta cardíaca promovida pelo hormônio tireoidiano”, apoiado pela FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, e o Projeto Temático “Aspectos celulares e moleculares da plasticidade muscular”, entre outros projetos apoiados pela Fundação. A WNT é classicamente considerada uma via envolvida em proliferação celular. Quando funciona bem, ela é fundamental para a reposição e renovação das células do organismo. Seu funcionamento anormal constitui, porém, uma notória causa do câncer. “Descobrimos que essa via intermedeia também o efeito do hormônio tireoidiano no crescimento do coração”, disse à Agência FAPESP. A técnica utilizada pela equipe foi a do rastreamento por microarray, uma estratégia de busca avançada que permite mapear o comportamento de aproximadamente 30 mil genes ao mesmo tempo. “O rastreamento por microarray é parecido com uma pescaria de largo espectro. Você lança apenas uma rede e colhe milhares de peixes de uma só vez”, comparou Moriscot. Por meio do rastreamento por microarray, os pesquisadores conseguiram adquirir as pistas necessárias para identificar a associação entre a via WNT e o T3 no coração. A pesquisa feita na USP traz a esperança de que, em um futuro próximo, inibidores farmacológicos capazes de interromper o crescimento do coração sejam desenvolvidos. Mas não se trata de bloquear diretamente a via WNT, porque, possuindo essa uma expressão sistêmica, tal ação provocaria uma série de indesejáveis efeitos colaterais. O aumento da massa cardíaca seria interrompido, mas a capacidade de reposição e renovação celular também ficaria comprometida. “A tática é atuar diretamente nas proteínas internas das células cardíacas, fazendo com que essas deixem de responder ao estímulo recebido pela via WNT. Essa é a forma de conferir especificidade ao tratamento”, disse Moriscot. A busca por procedimentos terapêuticos cada vez mais específicos – portanto, com um leque cada vez menor de efeitos colaterais – é uma forte tendência da medicina contemporânea, amparada nos avanços da genômica e da biologia celular e molecular. A equipe liderada por Moriscot, que reúne três pesquisadores principais, quatro pós-doutores, 12 pós-graduandos e vários estudantes em nível de iniciação científica, atua em pesquisa básica na área de saúde. O desenvolvimento de remédios não faz parte do escopo de atividades do time, mas nada impede que suas descobertas venham a ser aproveitadas por outros grupos de estudiosos e pela indústria farmacêutica.

(Fonte: Por José Tadeu Arantes/Agência FAPESP)