PREOCUPAÇÃO

ISSQN EDITADO

Durcila Cordeiro

Quando falamos em Saúde Pública é sempre uma preocupação. Temos direito a saúde gratuita e de qualidade, mas não há uma coisa ou outra, salvo algumas exceções. O Sistema Único de Saúde (SUS) é sempre dificultador na hora de prestar os atendimentos que está apto a prestar, por que será?

 

Por que será que ter saúde no Brasil é sempre um bicho de sete cabeças? Por que as verbas que deveriam ser investidas ali, nem sempre chegam? Porque a propaganda é sempre maior que o resultado?

 

Recentemente mais de 30 médicos, entre cirurgiões e outras especialidades  pediram demissão do quadro do Pronto Socorro de Cuiabá, capital mato-grossense. A justificativa dos médicos são os baixos salários e péssimas condições para executarem suas funções.

 

Isso é  motivo não só de preocupação, mas de calamidade pública. Por um lado o município que deveria dar condições de trabalho e de atendimento a julgar pelos médicos, não o faz. Do outro, pessoas que estudaram e que deveriam colocar em primeiro lugar o atendimento aos seres humanos, pedem demissão em massa deixando a população à deriva! Quem está certo?

 

Imagino cidadãos-médicos como esses numa situação de guerra, com condições menos que mínimas…. Como trabalhariam? E se eles próprios dependessem do Sistema como a  maioria da população depende pra sobreviverem?

 

Do outro lado… A Prefeitura Municipal, o Estado, o Brasil…Por que não nos garantem esse atendimento? Porque pessoas têm que morrer na fila para serem atendidas… Porque outras tem madrugar pra conseguir consultas e  outros padecem meses internados a espera de antedimento, cirurgias que deveriam ser de urgência, quando não morrem  de tanto esperar? Por que?

 

Por que tudo no nosso País é prioridade, menos saúde e educação? Por que quando se pensa em fazer algo ou mesmo levantar um imposto para direcionar justamente pra esta área, eles desvirtuam e  acabam sempre fazendo o que lhes dá na telha? 

Eu vejo tudo isso como cidadã e mãe que sou e vejo horrorizada como  tudo nesta vida tem mais importância do que a dignidade humana. Escrevo isso porque inúmeras vezes  dependi do SUS pra alguma coisa e só não fui pior atendida porque  felizmente, não como a maioria das pessoas, tenho um pouco mais de clareza das coisas e fiz valer o meu direito ou contei com médicos-amigos que são raríssimas exceções.

Mas se dependesse da “burrocracia”   que impera  no Sistema muita coisa ruim teria acontecido. Um exemplo claro seria  o meu filho que poderia não ter  recebido atendimento no momento certo. Porque o SUS não tinha data, hospital e nem o momento em que ele seria atendido pra corrigir uma cardiopatia congênita que é uma das que mais mata (Transposição dos Grande Vasos da Base). Eles tinham apenas uma cidade, uma indicação.

Não fosse Deus conduzindo as coisas e  me colocando em meu caminho médicas e amigas comprometidas, como Daniela Rosseto, Ana Lúcia Dias e Alaine Mundim, eu não teria chegado  em São Paulo , no Hospital do Coração – entidade  também filantrópica, no que diz respeito à pediatria. E lá, graça a Deus encontrei não somente médicos, mas figuras humanas raríssimas … Não dá pra nominar todos, mas dois podem representar todos:Luiz Carlos Bento de Souza e Magaly Arrais de Souza.

Esse é um desabafo de uma mãe que teme pela saúde dos filhos de outras mães como eu. Pois sei que ali no Pronto-Socorro de Cuiabá  há também atendimentos aos pequenos cardiopatas.

De um lado há a posição dos médicos. Do outro o município tenta justificar o injustificável e  tendo um jornal divulgado que o secretário de saúde do município  ficou surpreso com decisão do médicos, pois pra ele estavam ainda em negociações. E há ainda o Conselho Regional de Medicina (CRM) que diz que vai responsabilizar a direção técnica do Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá caso ocorra alguma morte por falta de atendimento médico na rede pública de saúde em decorrência das demissões de cirurgiões do box de emergência. Foi o que afirmou ontem o presidente do CRM em Mato Grosso, Arlan Azevedo Ferreira. Segundo ele, cabe a direção providenciar a substituição imediata de médicos, para evitar o caos no setor e mortes.

Em reuniões com a categoria ontem e hoje, o presidente tenta sensibilizar os colegas demissionários para que atendam os pacientes “graciosamente”, honrando o juramento que fizeram na formação acadêmica.

 

Eu sou da seguinte opinião de que o caso é de  buscar a solução para o problema e não encontrar os culpados. Ou terão que admitir que todos são culpados. Os médicos que concorrem a uma vaga pra trabalhar no Sistema devem saber  de antemão que não é um trabalho fácil e  de grandes ganhos…No Brasil é assim há décadas… No entanto, vão atrás de  mais um emprego e a profissão não é exercida como antes: Dom e amor!

O Sistema… esse nem se fale!

Enfim… pra mim e creio que  muitos comungam da mesma opinião… que a vítima é o usuário do SUS, a população! E na sua grande maioria pessoas que não possuem condições alguma de serem atendidas de outra forma.

Vamos gente! Honrem como disse o presidente do CRM, o juramento… Alguém Lembra? Caso não lembrem vou publicar logo abaixo, ok? É esse o País que vai pra frente????

“Eu, solenemente, juro consagrar minha vida a serviço da Humanidade.

Darei como reconhecimento a meus mestres, meu respeito e minha gratidão. Praticarei a minha profissão com consciência e dignidade.

A saúde dos meus pacientes será a minha primeira preocupação.

Respeitarei os segredos a mim confiados. Manterei, a todo custo, no máximo possível, a honra e a tradição da profissão médica.

Meus colegas serão meus irmãos.

Não permitirei que concepções religiosas, nacionais, raciais, partidárias ou sociais intervenham entre meu dever e meus pacientes.

Manterei o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção. Mesmo sob ameaça, não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza.

Faço estas promessas, solene e livremente, pela minha própria honra.” (Juramento de Hipócrates).

DEU NA IMPRENSA

 

CRM vai responsabilizar direção

 

Ana Paula Bortoloni

 

Da Redação

O Conselho Regional de Medicina (CRM) vai responsabilizar a direção técnica do Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá caso ocorra alguma morte por falta de atendimento médico na rede pública de saúde em decorrência das demissões de cirurgiões do box de emergência. Foi o que afirmou ontem o presidente do CRM em Mato Grosso, Arlan Azevedo Ferreira. Segundo ele, cabe a direção providenciar a substituição imediata de médicos, para evitar o caos no setor e mortes.

Em reuniões com a categoria ontem e hoje, o presidente tenta sensibilizar os colegas demissionários para que atendam os pacientes “graciosamente”, honrando o juramento que fizeram na formação acadêmica. Ferreira acredita que esta tenha sido justamente a intenção do secretário Luiz Soares, como se duvidasse da capacidade dos médicos de deixar de atender. “Mas também é preciso haver um limite para que os profissionais não fiquem reféns e sejam escravizados pela prefeitura visando o cumprimento do juramento”, pondera.

A orientação é que os profissionais cumpram o período de 30 dias que prevê o aviso prévio.

O médico concursado Osvanio Salomão Pimenta, único que estava de plantão ontem no Pronto-Socorro de Cuiabá da equipe de plantonista que é formada por 4 cirurgiões, registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Metropolitana e voltou para casa sem trabalhar. O documento foi feito para se resguardar e preservar os seus direitos, pois afirma que não se sentia em condições de trabalhar sozinho devido a demanda do PS. Após registrar o BO na Metropolitana, o médico seguiu para o Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) do Verdão. Ele é cirurgião do Box do PS e afirmou que não poderia realizar cirurgias sem a presença de outros profissionais.

Uma reunião marcada para hoje entre uma comissão com os médicos, prefeito Wilson Santos e o secretário Luiz Soares poderá reverter os pedidos de demissões dos 23 cirurgiões, que foi entregue à administração municipal na terça-feira. Conforme o representante dos demissionários, o cirurgião Danison Reis, vai depender das propostas apresentadas pela prefeitura diante das reivindicações da categoria.

Além dos 23 médicos demissionários do box de emergência do PS, ontem não houve atendimento nas 63 unidades do Programa de Saúde da Família (PSF), que paralisaram as atividades por um dia. A previsão é de que os trabalhos sejam retomados hoje e continuem amanhã. Caso não haja negociação satisfatória, os PSFs, junto com médicos de todas as unidades, exceto policlínicas, cruzam os braços novamente a partir de segunda-feira (7), desta vez por tempo indeterminado.

Para ontem à noite estava marcada uma assembleia, quando seria discutida a adesão de ortopedistas, clínicos gerais e intensivistas (que atuam nas UTIs) à lista única de demissão.

O presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso, Luis Carlos Alvarenga, avaliou como “errônea” a interpretação da assessoria da Secretaria Municipal de Saúde, que distribuiu nota à imprensa informando que os médicos haviam feito um acordo com a prefeitura e desistido das demissões. “Nós aceitamos sentar para conversar”.

Entre as reivindicações dos médicos estão melhorias nas condições de trabalho e salário, fim das retaliações da SMS e assédio moral, além da troca de secretário. A categoria quer acabar com o pagamento das gratificações, que hoje representam praticamente a totalidade dos salários. O salário base varia entre R$ 800 e R$ 1,2 mil e pode chegar até a R$ 3,8 mil com os benefícios. O problema é que como as gratificações não são incorporadas aos vencimentos, vão ser extintas na aposentadoria. Além disso, reclamam que caso faltem ao trabalho pelo menos 1 dia no mês, perdem o benefício.

 

SEM SAÍDA 

Pacientes são transferidos para VG

 

Caroline Rodrigues

Da Redação

 

Com a paralisação dos médicos cirurgiões no Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC), os pacientes foram encaminhados para o Pronto-Socorro de Várzea Grande. O fluxo de paciente aumentou mais de 100% no local. Até terça-feira (1), eram cerca de 400 atendimentos por dia e ontem o número chegou a 1.037. O diretor administrativo da instituição, João Santana Botelho, disse que nem na época da epidemia de dengue, quando o PS chegou a atender 700 pessoas por dia, o crescimento foi alto e de maneira tão súbita. Ele disse que a administração está preocupada com a situação, que se persistir, pode causar problemas porque a instituição não tem espaço físico e nem recurso financeiro para assumir todos os pacientes.

 

As ambulâncias do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) estão levando as vítimas de acidente para Várzea Grande. Um dos funcionários informou que em média 5 ambulâncias chegam por período no PS, vindas de Cuiabá. Em uma delas estava Leidiane Miranda de Farias, 23. Ela acompanhava a mãe, que foi atropelada por uma vaca e teve várias fraturas pelo corpo.

 

A vítima mora na cidade de Água Boa (730 km a leste) e o acidente aconteceu na quinta-feira (27). A família buscou socorro na hospital da cidade que a encaminhou para Capital. Leidiane relata que quando chegou ao Pronto-Socorro de Cuiabá informada que os médicos pediram demissão. Na hora, ela ligou para assistente social da cidade, que falou para ela buscar socorro em Várzea Grande.

 

Quando chegou no PS, os atendentes disseram que não podiam receber a mulher porque não haviam vagas. Depois de muita negociação, aceitaram a entrada da paciente, que passou por uma avaliação médica e foi encaminhada para a sala de cirurgia.

 

No Pronto-Atendimento, a situação também não é fácil. As pessoas estão ficando até 3 horas para serem atendidas e medicadas. A fila para pegar o remédio é grande e não há condições de esperar por muito tempo. O calor no corredor é intenso e como as pessoas estão aglomeradas a sensação térmica de alta temperatura cresce. A doméstica Zélia Maria de Souza, 46, chegou ao PS no final da manhã e concluiu o atendimento por volta das 16h. Depois de enfrentar 3 filas. Uma para fazer a ficha, a segunda para ser atendida pelo médico e a última para conseguir o medicamento.

 

Outro lado – A Secretaria Municipal de Saúde de Várzea Grande informou, por meio da assessoria de imprensa, que o Pronto-Socorro atenderá apenas casos de urgência e emergência. As consultas serão transferidas para os postos de saúde dos bairros. Segundo a nota, assim que a situação tiver regularizada em Cuiabá, o atendimento volta ao normal.

 

SMS vai pedir médicos ao Estado

 

Caroline Rodrigues

Da Redação

 

O secretário Municipal de Saúde, Luiz Soares, disse que ficou surpreso ao ser informado que os médicos cirurgiões não trabalharam ontem. Ele disse que havia um acordo prévio com a categoria. As negociações iriam continuar e as demissões seriam suspensas até o fim do processo de conversação. O secretário também argumenta que não há quadro de reserva para contratação de novos profissionais porque não há interessados. Ele explica que uma das saídas para crise, caso a situação persista, é pedir à Secretaria de Estado de Saúde (SES) apoio com o empréstimo de profissionais do quadro estadual para atender no Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC). “O pronto-socorro é referência de urgência e emergência, então nada mais justo do que o Estado ajudar”.

 

A falta de profissionais também pode ser observado no quadro de funcionários do Programa Saúde da Família (PSF). Cerca de 12 postos, entre eles o do Parque Atalaia e um do distrito de Rio dos Peixes, estão sem médico desde o começo do ano. Ontem, 16 compareceram ao trabalho, 24 faltaram sem justificativa porque aderiram a paralisação e 11 estão de licença maternidade. O secretário informou que as pessoas que deixaram de comparecer vão perder o direito a gratificação, que é maior que o salário. Ele disse que a regra está na portaria, que é vigente, e tem o objetivo de garantir o atendimento à população. Soares explica que o abono tem a função de premiar as pessoas que contribuem para melhoria da satisfação dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Quanto a falta de condições de trabalho, o secretário argumenta que o PS passa reformas e os problemas serão contornados. Ele diz que serão investidos mais de R$ 5 milhões no local. Do total do dinheiro, R$ 2 milhões são para compra de equipamentos novos, que atenderão todos os setores da instituição.

 

Outro lado – O secretário de Estado de Saúde, Augustinho Moro, disse que está preocupado com a situação em Cuiabá e que isso é problema de gestão. Ele disse que espera que o prefeito Wilson Santos e o secretário resolvam a questão antes que mais problemas surjam. Quanto ao pedido de médicos, Moro afirma que 180 servidores do Estado, a maioria médico, já são cedidos ao município e pagos pelo Estado e que saúde pública não se resume só ao PS.

 

(Fonte: www.gazetadigital.com.br )

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